segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O dia em que conheci Zaffaroni - parte I

Não dá pra esquecer. Se fosse você, leitor, no meu lugar, aposto que você também não se esqueceria. Foi em novembro/2010. Era minha segunda vez em Buenos Aires - se bem que poderia ser considerada a primeira, pois na vez anterior, foram apenas umas poucas horas em solo portenho. Como a maioria dos turistas, estávamos caminhando pela Calle Florida. Quando percebi já estava em frente à famosa livraria "El Ateneo". Um edifício extremamente bonito e convidativo. Entrei.

Depois de andar um pouco lá dentro, já bem perto da seção reservada às obras jurídicas, eu o vi. Como era de sua natureza, ele estava na parte destinada aos livros de direito penal. Encontrava-se cercado por todos os lados. Vi uns dois ou três bastante famosos perto dele. Humilde, porém, ele aparentava ser apenas um pequeno entre os grandes. Nenhuma afetação estética. Muito pelo contrário, uma figura quase banal. Como se não merecesse estar ali. Na verdade, parecia querer se passar por desconhecido. Virtude dos gênios?

Resolvi correr os olhos por alguns livros antes de me aproximar. Um pouco de incredulidade em vê-lo ali, misturado com um impulso de deixar o melhor por último, reservado. Quando já nada mais me interessava, vi que aquele era o momento para conhecê-lo. Sim, era ele: "En defensa del derecho penal", organizado por Siro M. A. De Martini. Com um título desses, caro leitor, na atual mesmice do direito penal, nem você se esqueceria.

2 comentários:

Michele Santti disse...

Adorei o espaço.

Adriano D. G. de Faria disse...

Obrigado, Michele, pela visita e pelo incentivo! Um abraço.